
Noolhar assume compromisso da COP-15
Em Belém, a ONG discute melhorias para o clima do planeta e promove mobilização.
O mundo inteiro está envolvido nas discussões que estão acontecendo em Copenhague, na Dinamarca, até o dia 18. É a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – a COP-15, que tenta responder a seguinte questão: o que vamos fazer para preservar o clima do nosso planeta? Em Belém, a ONG Noolhar e voluntários estão de olhos voltados para o evento, tentando compreender com todas as nações o que está acontecendo com o mundo e de que forma podem ajudá-lo.

Na noite de ontem, sábado, a ONG e seus parceiros colocaram em prática na capital paraense a ação mundial “O Mundo quer um acordo pra valer”, na qual passaram de barco por vários pontos da orla de Belém e realizaram ação simbólica e leitura dos manifestos sobre a Ação do Clima nessas localidades.
Para Patrícia Gonçalves, coordenadora da Noolhar, a conferência de Copenhague acontece em boa hora. Ela acredita que todos, sem exceção, devem discutir medidas para melhorar o clima do planeta. “Um comprometimento maior de todos os países dará mais eficácia a qualquer medida a ser tomada a partir da COP-15”, diz.
Apesar de o clima da Terra já ter mudado várias vezes ao longo dos milhões de anos de sua existência, cientistas e ambientalistas chamam de "mudanças climáticas" as transformações ocorridas nos últimos cem anos, quando o homem passou a desenvolver novas tecnologias e a queimar combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, para fazer as máquinas e indústrias funcionarem. O resultado foi o aumento da emissão de gases que causam o efeito estufa, que consequentemente passou a reter mais calor próximo à superfície terrestre. Esse processo, segundo pesquisadores, ainda deve ocorrer durante esse século, principalmente por causa da ação do ser humano.
Como ajudar o planeta
A ONG Noolhar trabalha com o objetivo de divulgar para a sociedade a reciclagem e o reaproveitamento de materiais que estariam no lixo, demorando anos para se decompor, como a garrafa PET. A partir deste trabalho, a Noolhar também incentiva o desenvolvimento sustentável, considerado por muitos, inclusive pelos coordenadores da ONG, como uma saída para a preservação do meio ambiente e seu clima natural.

De acordo com Patrícia, práticas de sustentabilidade são ações voltadas à redução do consumo de recursos naturais, à prática da economia solidária, ao uso de tecnologias limpas e renováveis e à mobilização comunitária. Todos esses conceitos se resumem em ações simples do dia-a-dia que podem colaborar, e muito, para a manutenção do clima e da natureza terrestre.
Uma boa idéia incentivada pela ONG para amenizar os efeitos das altas temperaturas é o plantio de árvores, que ajudam na melhoria da qualidade do ar e da temperatura do mesmo. Segundo ela, com uma única árvore há redução de mais de 4ºC de temperatura, agindo para atenuação das chamadas “ilhas de calor” (áreas de ocorrência das temperaturas mais elevadas durante o dia) que ocorrem especialmente nas zonas de maior poluição do ar.
Outra medida que, de acordo com Patrícia, pode ajudar bastante no crescimento sustentável de uma cidade, é a coleta seletiva do lixo, dando destino adequado aos recicláveis e colaborando com os catadores da cidade. “Caso em sua cidade não se realize a coleta seletiva, tente começar pela sua comunidade e então cobre do poder público o processo de seleção dos materiais”, sugere a coordenadora da Noolhar. Segundo último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Brasil produz diariamente aproximadamente 230 mil toneladas de lixo. Desse material, 62% é depositado em lixões a céu aberto por todo o país, sem nenhum tipo de seleção ou tratamento.
O que “muda com as mudanças”
Verões mais quentes e invernos mais rigorosos, maior número de enchentes, secas e incêndios florestais, aumento da intensidade e frequência de tempestades e furacões, derretimento de geleiras e calotas polares e elevação do nível do mar são algumas das consequências das mudanças climáticas, caso a temperatura do planeta continue subindo.
As mudanças climáticas também intensificam problemas sócio-econômicos. Secas e enchentes provocam sérios problemas na agricultura e no abastecimento de água, especialmente nos países mais pobres.
Geralmente, as pessoas costumam culpar o efeito estufa por essas alterações climáticas, mas vale lembrar que o efeito estufa é um fenômeno natural essencial para a vida no planeta. Se não fossem efeito estufa, as temperaturas médias do planeta seriam 17Cº negativas, mais ou menos a mesma temperatura de dentro do congelador. Ou seja, seria impossível viver da forma que vivemos hoje.
O que ocorre é que com o aumento descontrolado dos gases de efeito estufa na atmosfera, essa camada está ficando mais grossa, fazendo com que ela armazene mais calor. Esse aquecimento, somado a outros fatores naturais, está fazendo com que o clima do planeta mude.
A coordenadora da ONG ressalta que não apenas a falta de controle das emissões de gases está prejudicando os rumos do clima no planeta, mas também a forma desenfreada de desenvolvimento sem planejamento tanto das indústrias como das cidades. Tudo se resume na falta de informação e conscientização da população.
BOX:
Dicas para ajudar o COP-15 e o Mundo:
*Sugira ao seu supermercado a troca de sacos plásticos por sacos de papel ou caixas de papelão; alguns em Belém já tem essa atitude e outros devem tomar como exemplo.
*Para utilizar menos os carros, pense em esquemas de caronas entre amigos. Divida com outros pais a tarefa de levar seus filhos à escola. Faça trajetos curtos e médios a pé. Ande de bicicleta se tiver uma e vote por mais ciclovias, se puder; Adote estilo de vida simples, onde a felicidade está no bom uso que fazemos de tudo que temos e onde o supérfluo pese menos. Passe essas dicas aos seus amigos.
*Aproveite ao máximo a luz do dia e substitua a lâmpada convencional pela econômica fluorescente (economia de 60% de energia);
*O ideal a partir de agora é a utilização de papel reciclado ao invés do branco. Cada tonelada de papel reciclado evita a derrubada de 30 árvores e o consumo de 80.000 litros de água.