Mulheres olham à frente 

A ONG Noolhar está trabalhando na criação de uma cartilha com teoria e prática sobre educação ambiental e a coleta seletiva de lixo no arquipélago do Marajó. O trabalho iniciará pelo município de Chaves e está sendo discutido com a prefeitura local. A coordenadora Patrícia Gonçalves, à frente do projeto, pretende criar a Sala de Leitura Verde, um ambiente autogerido pela comunidade onde todos terão acesso a livros doados pela Noolhar. Computadores também poderão ser usados pela comunidade no espaço.

Engajada na luta pela defesa do meio ambiente, a administradora Patrícia Gonçalves iniciou seu trabalho ambiental há cerca de seis anos, quando cursava a faculdade. Naquela época, ela elaborou um projeto dando alternativas de uso para o complexo Ver-o-Rio, em Belém, e já vislumbrou a possibilidade de estender o trabalho a outras comunidades. Patrícia hoje elabora projetos que focam na preservação do meio ambiente na capital paraense e na qualidade de vida das pessoas. "É paixão por fazer diferença na região", define.

Para Patrícia, cuidar do meio ambiente é uma questão de dedicação e escolha. "É acordar de manhã e encarar os problemas que a cidade tem e ver que eles têm solução", diz Patrícia. Ela diz que é preciso "levar a conscientização até a comunidade, cada um fazendo um pouco pode somar e melhorar a nossa região".

Entre os projetos, destacam-se os de reaproveitamento de materiais recicláveis, com oficinas para as comunidades e os Pontos de Entrega Voluntários (PEVs). Alguns eventos realizados pela Noolhar, da qual ela é coordenadora, chegam a atender 6 mil crianças ou até 20 mil pessoas. "O papel da mulher nestes eventos a favor do meio ambiente é de grande importância. Devemos refletir mais na construção deste papel", enfatiza.

Para Patrícia, a mulher tem um papel fundamental porque ela participa na construção do despertar das questões ambientais. "Ela (mulher) consegue fazer mais reflexões de atividades cotidianas do que o homem. Com o filho, no ambiente de trabalho ou com amigas, a mulher pensa em coisas que podem ser desenvolvidas harmoniosamente com o meio ambiente", acredita.

Patrícia tem a esperança de que mais pessoas integrem a discussão sobre o meio ambiente e reforcem, no Dia Internacional da Mulher, o papel delas: "Precisamos discutir como fazer essa diferença, acompanhando as políticas públicas para o meio ambiente, além de se tornar mais ativas", define.

Patrícia iniciou os trabalhos na ONG Noolhar com o seu amigo de faculdade Waldir Maia de Albuquerque, engenheiro e diretor de empresa. "Ele acreditou muito no nosso trabalho. Foi uma das primeiras empresas a acreditar na Noolhar e doar sacos de cimento para a construção de espaços", relembra Patrícia. "Ela faz um trabalho muito bom. A Patrícia conseguiu mostrar o lado empreendedor social e dentro deste pouco tempo ter uma representatividade dentro deste cenário social. Hoje, a Noolhar já é uma organização que demonstra reconhecimento pela personalidade da Patrícia", elogia Waldir.

Ele acredita que a participação da mulher na defesa do meio ambiente é essencial. "Pela delicadeza que elas possuem. Enxergam o meio ambiente como forma de vida. A mulher tem um olhar mais amoroso e fraterno", enfatiza.

"Nossa cidade precisava desse trabalho"

A líder comunitária Adijanira Carrera dos Santos trabalha como visitadora sanitária da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), na comunidade São Geraldo, município de Igarapé-Açu, no nordeste do Pará. Ela conhece de perto a realidade local em relação à preservação do meio ambiente. "Nas horas vagas, trabalho com reciclagem. Além de fazer visitas regulares às casas falando sobre saúde, conscientizo moradores sobre questões do meio ambiente. Nossa cidade estava precisando muito desse trabalho", diz.

Adjanira faz questão de dizer que trabalha há mais de 25 anos em defesa do meio ambiente. "É interessante e importante para todos nós, até para nossa saúde, cuidar do meio ambiente", afirma. Para ela, as mulheres são mais cautelosas. "Quando ela entrar na defesa do meio ambiente, dedica-se mais e tem mais sensibilidade", diz. Adjanira participa do projeto desenvolvido pela ONG Noolhar na cidade de Igarapé-Açu sobre a coleta seletiva de lixo. "Vou de porta em porta falando sobre a coleta de lixo e o quanto isso vai beneficiar todos tanto na saúde como na melhoria do meio ambiente", explica.

Autônoma conscientiza a família para preservar a natureza

Ajudar as pessoas a possuírem uma renda. Com essa ideia, a autônoma Sueli Barbosa Nascimento, 44, iniciou sua jornada pela preservação ao meio ambiente em Belém. Ela mora no conjunto Médici, no bairro da Marambaia, e passou a recolher pela vizinhança materiais recicláveis para a produção de objetos como pufs e luminárias. "Em primeiro lugar, pela preservação em si e também para ajudar as pessoas a ter uma renda", comenta Sueli.

Aos poucos, Sueli começou a produzir objetos ecologicamente corretos e vendê-los. Também ganhou a ajuda das filhas e do marido, que passaram a recolher os materiais pela vizinhança e na rua. "Onde passo e vejo uma garrafa PET eu recolho e levo pra casa. Minha família também faz o mesmo", comenta. Quando sobra algum material, Sueli leva até a oficina da ONG Noolhar. "Gostaria que essas pessoas se conscientizassem disso. Nem todos querem", observa.

Ela trabalha em uma escola e alguns professores ficaram interessados pelos seus trabalhos e pretendem levar para dentro das salas de aula. "Quero mostrar para as pessoas que elas devem ter mais cuidado com o meio ambiente", diz. "Temos que conscientizar mais as mulheres e puxar mais eles (homens) para o nosso lado", brinca.

"Meu esposo estava desempregado e deu uma ajuda", comenta. Ela chegou a prender a fazer os objetos nas oficinas oferecidas pela Noolhar, mas já tinha conhecimentos de artesanato. "Se depender de mim, vou fazer tudo o possível para que lutemos cada vez mais a favor do meio ambiente", diz.

 Fonte: Amazônia Jornal

 
 
 
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