Conscientização é a ordem

Amazônia Jornal
Edição de 19/04/2009

 

A empresária Léa Saré destina todos os potes de plástico de seu salão de beleza para a reciclagem. São embalagens de acetona, xampus e cremes que são reutilizados e transformados em outros produtos, evitando a poluição do meio ambiente. O material é recolhido a cada quinzena pela Ong Noolhar, que já conseguiu a parceria de vários empresários de Belém. 'A gente tem conseguido a parceria com vários empresários, que já atentaram para a importância da preservação ambiental e já abraçaram a causa', disse a coordenadora da ONG, Patrícia Gonçalves, destacando que alguns empresários a procuram para fazer a doação dos seus produtos recicláveis.

Na sede da Noolhar, no bairro da Campina, há um grande depósito de materiais doados e que se transformam nos produtos mais diversos. Garrafas

 


Marcos Wilson Pires - coordenador da ONG Noolhar.

pet, por exemplo, viram lindos puffs - que podem ter o escudo do time do coração - sofás, vassouras e até camisetas. Isso mesmo. Aquelas garrafas pet que são jogadas no lixo depois que tomamos refrigerante podem se transformar em vários produtos. O outro coordenador da ONG, Marcos Wilson Pires, já desenvolveu até uma maquininha artesanal, que corta as garrafas pet em tirinhas para fazer vassouras, e outra que corta as garrafas plásticas para fazer os puffs.

No entanto, Patrícia e Wilson explicam que o objetivo da ONG é bem maior que o de vender produtos ecológicos ou lançar modismos. Pelo contrário. 'O que nós buscamos é o envolvimento da comunidade para adotar novas práticas, mudar hábitos culturais e contribuir com a preservação ambiental. E tudo isso com o foco no que consideramos importantíssimo, que é a geração de renda para comunidades locais', destacou Patrícia Gonçalves.

Na última sexta-feira, 17, a Noolhar encerrou uma oficina de conscientização ambiental e produção de produtos a partir de garrafas pet numa comunidade carente do município de Benevides, que fica a cerca de meia hora de Belém. Lá, Patrícia e Wilson foram um mês antes, conversaram com os participantes e lançaram um desafio para que eles reunissem a maior quantidade de garrafas pet que pudessem. Resultado: 1,6 mil garrafas, que foram selecionadas e transformadas em puffs e vassouras, que serão usadas pela comunidade e ainda gerarão renda para os moradores.

Wilson destaca que a sociedade já tem começado a perceber a importância da preservação ambiental, sobretudo da Amazônia. Porém, ele lamenta a falta de iniciativa do empresariado local em investir na indústria de material reciclado. 'Muitos empresários locais mandam caminhões de caixas de papel usadas para São Paulo e depois compram de volta por um preço alto. Mas por que não investem em fazer esse beneficiamento, aqui? Já está comprovado que a indústria de reciclagem gera muita renda', disse Wilson, acrescentando que as camisetas feitas com garrafa pet que a Noolhar possui são confeccionadas no Centro-Sul do país porque em Belém não há empresas que atuem nessa área. As camisetas são feitas a partir da mistura da fibra da garrafa pet com a fibra de algodão. O resultado é uma malha fria e macia, além de ecologicamente correta e bonita. A produção das ecobags (aquelas sacolas usadas para guardar as compras e deixar de usar sacolas plásticas) também é feita fora do estado.

Trabalho voluntário pelo planeta

O serviços gerais do Edifício Infante de Sagres, Denis da Silva, de 24 anos, é um parceiro incansável da Ong Noolhar no trabalho de reciclagem. Ele coleta garrafas pet em todos os escritórios do prédio em que trabalha e entrega para a ONG fazer reciclagem. 'Todos os dias, por volta das 19 horas, as pessoas colocam os sacos de lixo nas portas de seus escritórios, aí eu passo para recolher e separo as garrafas pet', explica Denis. O edifício em que ele trabalha possui 19 andares, com nove salas por andar. 'O pessoal da ONG vem recolher as garrafas a cada duas semanas. Recolho cerca de 200 garrafas por mês', complementou.

Denis faz esse trabalho há cerca de um ano e meio e, mesmo com dificuldade para explicar o que é feito com as garrafas, ele diz que tem consciência que está ajudando o planeta.

Mudança de hábitos leva tempo, mas vale a pena começar

A empresária Léa Saré conta que não só passou a destinar os potes de plástico de seu salão de beleza para a reciclagem, como tem se tornado uma 'vigilante' na prática de pequenos gestos em favor do planeta. De acordo com ela, as luzes são apagadas quando os ambientes estão vazios. Na torneira do banheiro dos clientes, ela colocou um dosador para evitar o desperdício de água e distribuiu um copo para cada funcionário para acabar com o uso de copos descartáveis. 'É uma mudança cultural, que demora para surtir o efeito desejado, mas estamos fazendo a nossa parte', disse Léa.As revistas do salão, ela também havia arrumado uma destinação. 'Eram doadas para a Colônia do Prata. Uma cliente as recolhia aqui e levava. Mas ela mudou-se de Belém e, agora, estou sem um destino para elas', destacou a empresária, que pretende voltar a doar as revistas. Na copa, usada pelos funcionários, ela prega recortes de reportagens sobre meio ambiente. 'Faço um trabalho permanente de conscientização com eles (funcionários)', disse Léa. 'Ela nos vigia o tempo todo com relação a isso e dá até aulas para as clientes', disse a cabeleireira Rita Silveira, exibindo seu copo e caneca para tomar café.

 
Avelina Castro

Da Redação

 
 
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