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pet, por exemplo, viram lindos puffs - que podem ter
o escudo do time do coração - sofás, vassouras e até
camisetas. Isso mesmo. Aquelas garrafas pet que são
jogadas no lixo depois que tomamos refrigerante
podem se transformar em vários produtos. O outro
coordenador da ONG, Marcos Wilson Pires, já
desenvolveu até uma maquininha artesanal, que corta
as garrafas pet em tirinhas para fazer vassouras, e
outra que corta as garrafas plásticas para fazer os
puffs.
No entanto, Patrícia e Wilson explicam que o
objetivo da ONG é bem maior que o de vender produtos
ecológicos ou lançar modismos. Pelo contrário. 'O
que nós buscamos é o envolvimento da comunidade para
adotar novas práticas, mudar hábitos culturais e
contribuir com a preservação ambiental. E tudo isso
com o foco no que consideramos importantíssimo, que
é a geração de renda para comunidades locais',
destacou Patrícia Gonçalves.
Na última sexta-feira, 17, a Noolhar encerrou uma
oficina de conscientização ambiental e produção de
produtos a partir de garrafas pet numa comunidade
carente do município de Benevides, que fica a cerca
de meia hora de Belém. Lá, Patrícia e Wilson foram
um mês antes, conversaram com os participantes e
lançaram um desafio para que eles reunissem a maior
quantidade de garrafas pet que pudessem. Resultado:
1,6 mil garrafas, que foram selecionadas e
transformadas em puffs e vassouras, que serão usadas
pela comunidade e ainda gerarão renda para os
moradores.
Wilson destaca que a sociedade já tem começado a
perceber a importância da preservação ambiental,
sobretudo da Amazônia. Porém, ele lamenta a falta de
iniciativa do empresariado local em investir na
indústria de material reciclado. 'Muitos empresários
locais mandam caminhões de caixas de papel usadas
para São Paulo e depois compram de volta por um
preço alto. Mas por que não investem em fazer esse
beneficiamento, aqui? Já está comprovado que a
indústria de reciclagem gera muita renda', disse
Wilson, acrescentando que as camisetas feitas com
garrafa pet que a Noolhar possui são confeccionadas
no Centro-Sul do país porque em Belém não há
empresas que atuem nessa área. As camisetas são
feitas a partir da mistura da fibra da garrafa pet
com a fibra de algodão. O resultado é uma malha fria
e macia, além de ecologicamente correta e bonita. A
produção das ecobags (aquelas sacolas usadas para
guardar as compras e deixar de usar sacolas
plásticas) também é feita fora do estado.
Trabalho voluntário pelo planeta
O serviços gerais do Edifício Infante de Sagres,
Denis da Silva, de 24 anos, é um parceiro incansável
da Ong Noolhar no trabalho de reciclagem. Ele coleta
garrafas pet em todos os escritórios do prédio em
que trabalha e entrega para a ONG fazer reciclagem.
'Todos os dias, por volta das 19 horas, as pessoas
colocam os sacos de lixo nas portas de seus
escritórios, aí eu passo para recolher e separo as
garrafas pet', explica Denis. O edifício em que ele
trabalha possui 19 andares, com nove salas por
andar. 'O pessoal da ONG vem recolher as garrafas a
cada duas semanas. Recolho cerca de 200 garrafas por
mês', complementou.
Denis faz esse trabalho há cerca de um ano e meio e,
mesmo com dificuldade para explicar o que é feito
com as garrafas, ele diz que tem consciência que
está ajudando o planeta.
Mudança de hábitos leva tempo, mas vale a pena
começar
A empresária Léa Saré conta que não só passou a
destinar os potes de plástico de seu salão de beleza
para a reciclagem, como tem se tornado uma
'vigilante' na prática de pequenos gestos em favor
do planeta. De acordo com ela, as luzes são apagadas
quando os ambientes estão vazios. Na torneira do
banheiro dos clientes, ela colocou um dosador para
evitar o desperdício de água e distribuiu um copo
para cada funcionário para acabar com o uso de copos
descartáveis. 'É uma mudança cultural, que demora
para surtir o efeito desejado, mas estamos fazendo a
nossa parte', disse Léa.As revistas do salão, ela
também havia arrumado uma destinação. 'Eram doadas
para a Colônia do Prata. Uma cliente as recolhia
aqui e levava. Mas ela mudou-se de Belém e, agora,
estou sem um destino para elas', destacou a
empresária, que pretende voltar a doar as revistas.
Na copa, usada pelos funcionários, ela prega
recortes de reportagens sobre meio ambiente. 'Faço
um trabalho permanente de conscientização com eles
(funcionários)', disse Léa. 'Ela nos vigia o tempo
todo com relação a isso e dá até aulas para as
clientes', disse a cabeleireira Rita Silveira,
exibindo seu copo e caneca para tomar café. |